Thais Helena Guidolin Ouzounian

ThaisReturn to Poets at Peace

O RIACHO E O ESPETÁCULO DA VIDA

A cor cristalina do riacho no quintal de minha casa, toca-me.

O fluxo de suas águas agita-me.

O tato com o frio de sua temperatura, desperta-me.

A névoa que paira nas manhãs geladas sobre o riacho

do quintal de minha casa, comove-me.

A névoa que paira nas manhãs geladas sobre o riacho

do quintal de minha casa, transporta-me

para mundos etéreos.

As margaridas que fielmente acompanham

os lados de meu riacho, adornando-o,

acendem em mim o sorriso da gratidão.

O chuvisco que gentilmente mescla-se

às águas do riacho num balé delicado,

acalma-me molhando-me a face

e beijando-me a alma.

A tempestade que conspurca suas águas

desassossegando e movimentando-as

febrilmente, acorda em mim

a gladiadora adormecida.

O sol e a brisa que depois de cessada a tormenta,

afinal reinam sobre meu riacho, acariciam-me acalmando

e enlevando-me o espírito.

Pois, por que escrevo?

Escrevo para dar vazão as explosões para dentro

que o riacho do quintal de minha casa provocam-me.

Escrevo pela pretensão de cingir-me a ele por

meio de minhas palavras, por meio da ânsia e

do acalento que ele me desperta.

Escrevo pela pretensão de estar em seu fluxo,

em sua cor, em seu odor.

Escrevo para principalmente

estar em sua superfície e receber, em comunhão com ele,

as suaves gotas do chuvisco durante a primavera.

Ou em luta armada, junto a ele digladiarmos

contra o exército das revoltas águas da tempestade

que ora lhe afronta.

Escrevo porque o espetáculo do meu riacho encanta-me.

Escrevo porque, assim, almejo eternizar suas virtudes.

Escrevo porque tenho febre de dizer, de revelar meu riacho.

Escrevo porque, enfim e acima de tudo,

este é o modo como sei amar o riacho do quintal de minha casa.

May 3, 5PM, Art Exhibit opening,
California Golden Autumn

Thais Art Exhibit

The Creek and Life’s Spectacle

The crystal color of the creek in my homes’ back yard touches me.

The flow of its water stirs me.

The cold touch of its temperature awakens me.

The fog that hangs over the creek during the morning’s freeze in my homes’ back yard moves me.

The fog that hangs over the creek during the morning’s freeze in my homes’ back yard carries me to ethereal worlds.

The daisies that loyally follow both sides of the creek, adorning it, raise in me a smile of gratitude.

The drizzle that gently blends itself into the water of the creek in a delicate ballet calms me while wetting my face and kissing my soul.

The storm that defiles the creek’s water disquieting and shaking it in a frenetic way awakes the sleepy gladiator that lives inside me.

The sun and the breeze that finally prevail over my creek after the storm’s finish caress me calming me down and lifting my spirit.

Therefore, why do I write?

I write so the release of the internal explosions that the creek of my homes’ back yard provokes within me can flow out.

I write because I have the intention to bind myself to the creek through my words and through the torment and the shouting that my creek rouses in me.

I write because I have the desire to be in its flux, in its color, in its perfume.

I write mainly to be in my creek’s surface and to receive, in communion with it, the gentle drops of rain during the spring.

Or, during a duel, bonded to my creek to fight against the army of the rebellious waters from the storm that now confront it.

I write because the spectacle of my creek enchants me.

I write because in this way I intend to preserve my creek’s virtues.

I write because I feel with my thoughts, with my words.

I write because I have a fever to speak, to reveal my creek.

Finally above all, I write because this is the only way that I know how to love the creek in my homes’ back yard.